Livros Adultos e Infanto-juvenis

Ficção Científica, Ficção Fantástica, Terror, Suspense, Policial

 

 

 

Roteiro Globo - 1998 - “Castigo”

“CASTIGO”

 

 

 

FADE IN:

 

 

1    EXT. ESCOLA STA. MARTHA DE NAZARÉ/PÁTIO - DIA

 

 

GRITARIA no pátio da escola. DANILO SILVA, 15 anos, moreno claro, franzino, inteligente para freqüentar o 3º colegial, filho do faxineiro da escola particular; Rio de Janeiro, fim do ano 1998. Danilo em PRIMEIRO PLANO olha CAROLINE FERREIRA DE CASTRO, menina loira, olhos verdes, corpo perfeito, rica, mimada, “namoradeira”, que esnoba o garoto, que não faz sucesso na escola pela condição social e monetária; está sentada numa roda de AMIGOS. O olhar dele demonstra paixão não correspondida; ao vê-lo olhando-a, comenta com a amiga CINTIA em maneiras jocosas.

 

 

                   CAROLINE

         Aquele cara não se manca mesmo.

 

                   CINTIA (rindo)

         Ele tá te olhando.

 

                   CAROLINE

         É um idiota. Um pobretão idiota.

 

 

Os outros três amigos; STEPHANIE, LÚCIO, MENDES FILHO, acompanham o diálogo e riem. Danilo percebe, abaixa a cabeça derrotado. Danilo pinta quadros à óleo para afastar a depressão.

 

CORTA PARA:

 

2    INT. SALA DE ARTES DA ESCOLA - DIA

 

 

Danilo CHORA enquanto pinta, excluído das rodas de amigo. As telas mostram pintura de primeira.

O pai JUVENAL SILVA, idade por volta dos 45 aparentando 60; entra e Danilo desabafa. Órfão, é criado pela avó paterna. O menino estuda gratuitamente.

 

 

                   DANILO

         Por que fazem isso comigo? Ser

         filho do faxineiro... não ter

         dinheiro é defeito?

 

                   JUVENAL

         Não meu filho. Não se rebaixe

         assim. Já te falei...

 

                   DANILO (nervoso)

         Rebaixar, pai? E preciso? Foi

         sempre assim; eles lá... me

         separando, mostrando que não sou

         do meio; é duro, sabia? Gosto dela...

 

                   JUVENAL (equilibrado)

         Pois não devia. Sabe que ela é rica,

         que te despreza todos esses anos.

 

 

Danilo joga os pincéis e BATE a porta. Juvenal fica preocupado. Vai conversar com o Diretor, seu amigo.

 

CORTA PARA:

 

3    INT. SALA DA DIRETORIA - DIA

 

 

Uma PANCADA e a porta se abre. CLOSEUP no rosto do Diretor RUBENS OLIVEIRA. QUADRO se abre e mostra os diplomas na parede atrás da cadeira onde está sentado um homem de 40 anos, barba branca, olhos pequenos, astutos, sorriso franco. Juvenal parece ser intimo,; se senta e começa a chorar.

 

 

                   RUBENS

         O que está acontecendo?

 

                   JUVENAL

         Danilo... outra vez chora por causa

         de uma Ferreira de Castro.

 

                   RUBENS (brinca)

         Hereditário?

                   JUVENAL (esboço de sorriso)

         Outra vez uma Ferreira de Castro

         nos derruba. Já bastou minha paixão                 platônica por aquela mulher fria;

         a filha é igual.

 

                   RUBENS

         Tenho péssimas impressões sobre a                       menina. Dizem muitos garotos, que

         ela é do tipo “fácil”.

 

                   JUVENAL

         Mas parece que gosta de colecionar                  homens ricos, apenas, tal qual a mãe;                   fácil mas seletiva. Sabe... tive uma                infância difícil; meu pai morreu cedo

         e minha mãe me criou como cria Danilo.                  Não é justo vê-lo passar pelas                       humilhações que eu passei; que ela me                  fez passar...

 

                   RUBENS

         Hei! Não pode ficar remoendo o passado,             amigo. Veja isso aqui...

 

A CAMERA mostra a sala.

 

                   RUBENS (cont’d)

         Isso aqui eu devo a influência de Ralph             Ferreira de Castro. Ele e sua corja de

         amigos milionários mantém essa escola                    caríssima. Sua posição de ex-modelo                 internacional e sua fábrica de roupas                 movimentam a sociedade econômica carioca.

 

                   JUVENAL

         E por isso ela despreza meu filho?

 

                   RUBENS

         Como um dia a ex-miss Pepita Ferreira

         de Castro lhe desprezou.

 

                   JUVENAL

         Desgraçada!

 

A porta é fechada num rompante, ficando o som estrondoso dela BATENDO. O diretor fica pensativo.

 

CORTA PARA:

 

4    INT. CASA DOS SILVA/SALA - TARDE

 

 

O garoto está calado. Teve depressões seguidas pela falta da mãe; sente-se excluído pela vida. A avó CLARA se aproxima do rapaz largado no sofá.

 

 

                   CLARA

         Quer conversar?

 

                   DANILO

         Não, vózinha!

 

                   CLARA

         Seu pai...

 

                   DANILO

         Já cagoetou, né? Só porque ele

         já teve uma delas na mão.

 

                   CLARA

         Seu pai era um homem bonito. Ela

         gostava de colecionar namorados ricos;

         tal qual a filha.

 

                   DANILO

         E o castigo dele? Continuar pobre?

 

                   AVÓ CLARA

         Não fale assim...

 

                   DANILO

         Comigo vai ser diferente.

 

 

A avó fica vendo a tristeza do menino; nada pode fazer, ela sabe.

 

CORTA PARA:

 

5    INT. QUARTO DE DANILO - NOITE.

 

 

Muitas telas espalhadas no quarto mostram que Danilo pinta compulsivamente. Tenta através das telas se afirmar no mercado. Tem garra e talento. Olha fotos suas, de exposições de rua, feiras, shoppings nas paredes; parece que o garoto vem tentando tudo.

 

                   DANILO

         Comigo vai ser diferente, vózinha.

         A Senhora vai ver; ter orgulho...

 

CORTA PARA:

 

6    INT. GALERIA DE ARTE - DIA

 

 

O motivo de estar ali num lugar tão requintado é uma carta que chega e Danilo ainda não mostrou para ninguém. Ele volta a ler a carta.

 

 

                   DANILO (off)

         “Gostaríamos de sua presença à

         Galeria de Artes New-age, quarta

         pela manhã, referente a aprovação de                exposição de suas telas.”

 

 

Uma MULHER BONITA se aproxima; estende as mãos num sorriso; dá a entender que é a dona e ele é bem-vindo.

 

CORTA PARA:

 

7    INT. SALA DE AULA - DIA

 

 

A aula já iniciara a algumas horas. Danilo entra atrasado, vira gozação até a PROFESSORA interceder.

 

 

                   MENDES FILHO

         E aí, Danilo? Se atrasou por que?

 

                   LÚCIO

         Tava limpando o pátio.

 

                   CAROLINE

         Não. Ele lava e passa sua roupa.

 

                   STEPHANIE

         Muito mal, né?

 

                   PROFESSORA

         Chega, pessoal!

 

 

Danilo nem liga. Está muito feliz com a conversa da galeria. O ano está terminando e as provas trazem boas noticias outra vez. Uma pessoa aparece no vidro da sala; é o diretor atrás de Caroline; um telefonema.

Danilo parece se preocupar com a saída repentina dela.

Numa SÉRIE DE PLANOS, todos acabam a aula, outra professora entra, dá antepenúltima aula; e a penúltima e última e nada de Caroline voltar. Mais um dia e SÉRIE DE PLANOS durante as aulas mostrando que ela faltou.

 

CORTA PARA:

 

8    INT. SALA DE AULA - DIA

 

 

Caroline aparece, parece batida. Os amigos fazem roda; Danilo tenta escutar de longe. Caroline chora e conta a má utilização de dinheiro na bolsa de valores pelo pai; O casal Ferreira de Castro perde tudo. Durante a história, MONTAGEM do acontecido na bolsa e a perda continua de ações de Ralph Ferreira de Castro até o desmaio dele no chão da bolsa de valores do Rio.

 

 

                   CINTIA

         Nossa! Você deve tá péssima.

 

                   STEPHANIE

         Claro que ela tá.

 

                   MENDES FILHO

         Isso quer dizer que não vai nos

         acompanhar mais?

 

                   CAROLINE

         Que quer dizer com isso?

 

                   LÚCIO

         É! Que quer dizer?

 

                   MENDES FILHO

         Que ela tá pobre tal qual...

Pausa.

                   MENDES FILHO (cont’d)

         ... tal qual aquele lá... o faxineiro.

 

 

Caroline compreende, se choca; sai correndo.

 

CORTA PARA:

9    EXT. CORREDORES DA ESCOLA - DIA

 

 

Todos vêem a menina que chora, passando correndo. Caroline estanca ao ver seu pai entrar na sala do diretor.

 

CORTA PARA:

 

10   INT. SALA DO DIRETOR - DIA

 

 

Ralph senta pesado na cadeira.

 

 

                   RALPH

          Precisamos conversar. Estou numa

         situação delicada.

 

                   RUBENS

         Eu soube pelo jornais, ontem.

 

                   RALPH

         Não vou poder pagar a escola de

         Caroline.

 

                   RUBENS

         Eu sinto muito, mas...

 

                   RALPH (levanta e grita)

         Sente? Isso aqui quem fez fui eu.

         Eu e minha força nessa sociedade.

 

                   RUBENS

         Eu já disse que sinto muito, mas

         ontem mesmo seus amigos começaram a

         te excluir do meio.

 

                   RALPH

         O que?

 

                   RUBENS

         Por favor, Sr. Ferreira de Castro.

         Não há necessidade para explosões.

         Sou um empregado... lembra? Me

         dizia isso o tempo todo.

 

                   RALPH

         Isso mesmo. Um empregado que vai

         continuar a fazer o que eu quero.

                   RUBENS

         Eu posso tentar. Mas aqueles que te

         chamavam de amigo...

 

                   RALPH

         Minha filha é uma Ferreira de Castro;               continuará aqui até terminar o ano.

 

                   RUBENS

         Ano que ela vai perder não? Sabe que

         pagávamos todos os meses para que ela

         passasse de ano.

 

                   RALPH

         Não me interessa, suas notas! A quero

         formada pela Sta. Martha de Nazaré.

 

 

A porta BATE com violência. Rubens Oliveira fica satisfeito com a situação daquele empolado.

 

CORTA PARA:

 

11   INT. SALA DE AULA - DIA

 

 

Os amigos de Caroline começam a exclui-la das conversas. Todos percebem; Danilo também. Tenta se aproximar dela.

 

 

                   CAROLINE

         Nem vem que não tem, tá.

 

                   DANILO

         Só tô preocupado com você.

 

                   CAROLINE

         Olha! Você me dá urticária. Pobreza me

         dá coceira.

 

                   DANILO

         Só tava pensando que precisava...

 

                   CAROLINE

         Então não pense; por que vou sair

         dessa. Imagina... eu conversando com

         o filho do faxineiro.

 

 

Um RAPAZ do 2º colegial se aproxima. Parece ser rico, do tipo “gostosão”. Caroline trata de desprezar Danilo que se encolhe.

 

CORTA PARA:

 

SÉRIE DE PLANOS mostram a preparação da formatura. A turma mostra que Danilo não deve participar de uma festa se não tem dinheiro. Começam a excluir também Caroline que não liga e continua a tentar se manter na posição. Fala com as amigas tentando mostrar segurança.

 

 

                   CAROLINE

         Isso é provisório. sabe... a fabrica

          do meu pai vai de vento em popa.

 

                   CINTIA

         Pensei que a justiça tinha tirado

         tudo.

 

                   STEPHANIE

         É, meu pai é desembargador, lembra?

         Ele contou tudo pra gente.

 

                   CAROLINE

         Pois seu pai não sabe dos dólares

         que temos na Suíça.

 

                   CINTIA

         Tua mãe não usou os dólares para

         a reforma da cobertura?

 

                   CAROLINE

         Ah! Temos muito mais que aquilo.

 

 

As duas amigas riem e se afastam. Caroline fica furiosa. Procura Danilo com os olhos. Se aproxima dele.

 

 

                   CAROLINE

         Odeio homens feios, franzinos...

         pobres.

 

 

Danilo espreme as vistas tem vontade de chorar, de quebrar tudo, de bater nela. Fica arrasado.

 

CORTA PARA:

12   INT. SALA DE ARTES - DIA - MAIS TARDE.

 

Danilo está pintando. Muitas telas são colocadas e tiradas do suporte. Danilo pinta compulsivamente. O ÂNGULO ABRE PARA REVELAR muitas telas espalhadas pela sala. Todas as telas são carregadas de emoção forte. Na maioria me tons de azul com crianças chorando.

 

FUSÃO PARA:

 

MONTAGEM mostrando vários dias de escola, provas, idas e vindas dos alunos até o final do ano.

 

 

13   INT. ANFITEATRO DA ESCOLA - DIA

 

 

A formatura chega. Caroline repete o ano; não vê seu nome na lista da festa colocado no anfiteatro; fica furiosa. Telefona para todos os ex-namorados tentando ir. Numa MONTAGEM, vários telefonemas são dados. Todos recusam a pobretona. A festa vira notícia nos jornais no dia seguinte. Caroline abre o Jornal e não se vê nas colunas sociais. Nem ela nem Danilo compareceram.

 

CORTA PARA:

 

14   INT. LOJA DE SHOPPING - NOITE

 

 

Caroline está trabalhando. Está mais magra e muito abatida. Seus cabelos maltratados; suas roupas de categoria duvidosa. O movimento é pouco. Sem perceber, entra na loja a ex-amiga Stephanie, que não perde a chance de provocar Caroline, como ela própria fazia.

 

 

                   STEPHANIE

         Ora, ora, se não é a Caroline.

 

                   CAROLINE (assustada)

         Oh... que coincidência.

 

                   STEPHANIE

         Coincidência mesmo. Não costumo

         freqüentar os shoppings de

         periferia, mas minha babá... lembra

         dela?; quis vir aqui.

 

 

                   CAROLINE

         Sua babá? Ah! Que legal.

 

 

Stephanie passa a mão nas roupas penduradas como se fossem ásperas. Tem nojo ao toque do tecido barato.

 

 

                   STEPHANIE

         Pois é; logo hoje que tinha um

         trabalho da faculdade; uma

         audiência no tribunal.

 

                   CAROLINE

         Você entrou na faculdade?

 

                   STEPHANIE

         Lógico! Terceiro ano de Direito na

         Federal, queridinha.

 

                   CAROLINE

         Legal...

 

                   STEPHANIE

         A Cintia seguiu seu pai e já está no

         terceiro ano de Medicina. Sabe, né?

         Um consultório montado ela ganhou, no

         natal passado.

Pausa.

                   STEPHANIE (cont’d)

         Eu tô namorando o Mendes filho. Meu

         pai achou ótimo; acho que vamos ficar

         noivos.

 

                   CAROLINE (provoca)

         Noivos? É? Ele conseguiu me esquecer?

 

                   STEPHANIE (irritada)

         Esquecer? Ele jamais se lembraria de

         uma vendedorazinha de balcão de loja

         de terceira categoria.

 

As pessoas paravam ao lado para ouvi-las. Encararam Caroline, vermelha de raiva. Ela agarra Stephanie pelo braço machucando-a e a joga vitrine afora.

 

CORTA PARA:

 

15   INT. CORREDOR DO SHOPPING - NOITE

 

O ESTARDALHAÇO DOS VIDROS são ouvidos no corredor todo.

Uma multidão se aglomera para ver a menina caída. A BABÁ e o MOTORISTA particular correm para ajuda-la. Stephanie se levanta meio tonta e encara Caroline. Vai se embora. Caroline tem ódio nos olhos.

 

CORTA PARA:

 

16   EXT. RUA DAS GALERIAS - DIA

 

 

Caroline é levada pela amiga de trabalho, MARIA JULIA, à uma rua com muitas galerias de arte. Ela quer comprar um presente para o namorado e procura uma obra de arte.

 

 

                   CAROLINE

         Não vamos encontrar nada barato aqui.

         Minha mãe dizia que era um lugar

         ótimo para decorar; então quer dizer

         que tudo é caro nessa rua.

 

                   MARIA JULIA

         Puxa! Tenho que tentar ver se há

         alguma liquidação de algum artista.

 

 

Caroline dá de ombros e se separa da amiga; começa a olhar vitrines. Se encanta com quadros de crianças em muitos tons de azul, chorando, na vitrine. Lê a placa; “GALERIA NEW-AGE”, está escrito. Caroline vê uma agitação dentro da galeria; abre a porta e entra.

 

CORTA PARA:

 

17   INT. GALERIA DE ARTE NEW-AGE - DIA

 

 

Uma MÚSICA SUAVE toca, lá dentro acontece uma vernisagem. O garçom oferece uma taça de champagne. Ela aceita; se delicia com a bebida há muito esquecida do seu paladar; faz caretas de satisfação e leva um susto. FECHA UM QUADRO no rosto de Caroline que vê Danilo no centro de uma roda de pessoas elegantemente vestidas.

Danilo veste terno escuro de bom corte; percebe os olhos arregalados da mulher, CLOSEUP em sua boca; um leve sorriso de satisfação por ver que é Caroline. ela se aproxima meio que comandada. Ele se afasta da roda e a cumprimenta ainda longe com a cabeça;antes que ela fale com ele uma elegante mulher o puxa.

Após se desculpar com Caroline sem ao menos prestar atenção nela; VANDA CHIN, saem. Ela é a dona da galeria; loira, traços orientais. Danilo é levado para perto de homens que Caroline reconhece. Eram amigos de seus pais. Ela vai atrás deles; leva um tempo até que a deixem, entrar na roda; muitos HOMENS com charuto na mão.

 

 

                   CAROLINE

         Hei. Lembram de mim? Sou filha de

         Ralph Ferreira de Castro.

 

                   HOMEM GORDO

         Ah! Lembro vagamente. Fazem três

         anos que ele não comparece ao jóquei.

         Como vai a bela Pepita?

 

                   CAROLINE (inquieta)

         Bem...

 

 

Vanda, afasta-o novamente. Danilo percebe que Caroline ficou com raiva; ele é apresentado para toda a sociedade carioca e mais alguns descolados da área das artes; alguns artistas da TV também aparece; isso mostra a importância do trabalho dele.Caroline nem acredita onde Danilo chegou.

 

 

                   CAROLINE (off)

         Ela tá até mais bonitinho.

 

 

A festa rola pela tarde e avança a noite. De lá são levados para um restaurante de luxo. Caroline que abandonou a amiga, tenta ir junto, mas não fazia parte dos convidados de honra. Fica com raiva.

 

CORTA PARA:

 

18   INT. QUARTO DE CAROLINE - DIA

 

 

O quarto é simples; está abarrotado de móveis bons mostrando que mudaram para algo menor e mais barato. A CÂMERA acompanha Caroline que sai do quarto para a cozinha; ela lê as colunas sociais.

 

CORTA PARA:

 

19   INT. COZINHA - DIA

 

 

Ela aparece na cozinha para tomar café e encontra sua mãe PEPITA com olheiras e mal vestida.

 

 

                   CAROLINE

         Acredita que aquele fedelho do Danilo,

         filho do faxineiro é um artista de sucesso?

 

                   PEPITA

         O que? O filho do Juvenal?

 

                   CAROLINE

         Conhece ele?

 

                   PEPITA (disfarça)

         Mais ou menos... que negócio é esse?

         Ele é ator?

 

                   CAROLINE

         Não! Pintor, e dos bons. Igual aqueles

         que víamos na Europa. E tá rico.

 

                   PEPITA

         Rico? Quem sabe você não descola um

         casamento para nos tirar daqui. Não

         era ele que não largava do teu pé?

 

                   CAROLINE

         Não é uma má idéia. Afinal não há nada

         bom no mercado que me queira pobre.

 

CORTA PARA:

20   INT. GALERIA NEW-AGE - NOITE

 

 

Acontece mais uma vernisagem de Danilo. Caroline capricha no visual e prepara o ataque. Passa a noite toda encarando Danilo e jogando charme; ele percebe, tenta escapar dela varias vezes. A falta de interesse dele a deixa irada. Sabe que não pode perder a chance de voltar a ser rica e ele é a tábua de salvação.

 

 

                   CAROLINE

         Boa noite!

                   DANILO

         Desculpa, mas estou muito ocupado.

 

                   CAROLINE

         Não tem importância; eu te acompanho.

 

                   DANILO

         Desculpa outra vez, mas não quero

         sua companhia.

 

                   CAROLINE(quase grita)

         O que? Cê tá brincando?

 

                   DANILO

         Não! Não sou homem de brincadeiras.

         Sou importante agora. Não falo com

         meninas pobres e mal tratadas.

 

                   CAROLINE

         Sou uma Ferreira de Castro. Homem

         nenhum me despreza.

 

                   DANILO

         Você um dia já foi bonita, Caroline;

         então eu te queria.

 

                   CAROLINE

         Agora não me quer mais?

 

                   Danilo (cinico)

         Não! Eu lhe agradeço por ter se

         lembrado de mim, mas fui um desgraçado

         que passou por sua vida e sofreu muito

         com teu desprezo. Agora tua vaidade

         pede tratamentos que não pode pagar.

Pausa.

                   DANILO (cont’d)

         Adeus, Caroline!

 

 

A CAMERA mostra o rosto chocado de Caroline. Danilo abraça Vanda. O QUADRO SE ABRE e a festa continua quando Caroline abandona a vernisagem.

 

 

 

FADE OUT

 

 

FIM